Embora o ocultista britânico Aleister Crowley seja frequentemente considerado como a principal influência na obra de Raul Seixas, é possível constatar que o roqueiro baiano bebeu de outras fontes filosóficas ao longo de sua carreira. Dentre elas, destaca-se a figura de Arthur Schopenhauer.

Nascido no século XVIII, Arthur Schopenhauer foi um grande filósofo alemão. Sua filosofia esteve à frente de seu tempo, não se encaixando em nenhum dos grandes sistemas da época. Conhecido principalmente por seu pessimismo, Schopenhauer influenciou diversos escritores e pensadores.

Embora Raul Seixas pouco tenha falado sobre a influência de Schopenhauer em suas músicas, é possível atribuir ao filósofo alemão alguns conceitos presentes nas letras do músico. Como, por exemplo, a ideia de morte e renascimento, que permeia toda a obra de Raulzito. É o “querer voltar por onde vim”, cantado em Trem 103. É o Trem das 7 que traz a Morte e a Vida. É a mosca na sopa.

Se a mosca, que agora zumbe em torno de mim, morre à noite, e na primavera zumbe outra mosca nascida de seu ovo, isso é em si a mesma coisa. (Arthur Schopenhauer)

Essa sempre foi uma das principais mensagens de Raul Seixas. Vida e Morte são os dois lados da mesma moeda. Um não pode existir sem o outro, já que ambos se completam. A morte é algo tão natural quanto a vida e por isso não deve ser temida, pois quando o homem teme a morte, deixa de viver.

Schopenhauer também pode ser responsável pela aproximação de Raul com a mitologia indiana, que, segundo o filósofo, é a mais sábia das mitologias. O hinduísmo que influenciou Schopenhauer acabou influenciando Raul Seixas. A dualidade é uma forte característica da crença hinduísta. Shiva, o deus da criação, também é o deus que traz a destruição. E esta dualidade também está presente nas músicas do cantor baiano, que tem em Gita seu maior sucesso.

Para que não restem dúvidas sobre a influência de Schopenhauer sobre Raul, é importante ressaltar que a música Nuit, composta em 1983 e gravada em 1989, traz um trecho do capítulo Morte do livro Dores do Mundo, lançado pelo filósofo alemão em 1850: “Quão longa é a noite do tempo sem limites, comparada ao curto sonho da vida”.

Detalhes sobre essa influência da filosofia de Schopenhauer nas músicas de Raul Seixas podem ler encontrados no livro “Raul Seixas – Metamorfose Ambulante” (2009), do jornalista e bacharel em Psicologia Mário Lucena, sob coordenação de Sylvio Passos, que traz a interpretação filosófica da obra do roqueiro baiano.