Frequentemente, a obra de Raul Seixas é alvo de difamações, seja por raivosos líderes religiosos ou por pessoas que buscam autopromoção criando falsas polêmicas. As músicas do roqueiro são associadas ao satanismo ou algo do gênero. As acusações mais frequentes são de que Raul esconde mensagens subliminares satânicas em suas canções.

A maior parte dessas mensagens subliminares apenas seria ouvida caso as músicas de Raul fossem executadas ao contrário. E isso esconde um truque. A distorção provocada pela execução reversa das canções favorece um fenômeno chamado pareidolia, ou seja, uma ilusão criada pelo cérebro humano a partir de um estímulo aleatório.

Dezenas de outros artistas são alvos das mesmas acusações, que se assemelham a lendas urbanas e não possuem compromisso com a realidade. Certamente, essas supostas mensagens satânicas estariam até em músicas gospel, caso alguma fosse executada ao contrário. É uma evidência do quanto essas acusações não têm fundamento.

A biografia de Raul Seixas é prova de que ele não precisava esconder nenhum tipo de mensagem subliminar, já que ele sofreu até um exílio no período da Ditadura Militar por dizer e cantar o que pensava, além de ser alvo da Censura. Quem quiser compreender a obra do roqueiro baiano não precisa ouvir sua discografia ao contrário, mas apenas prestar atenção nas letras e nas entrelinhas para encontrar questionamentos e críticas.

O que dá margem ao discurso que buscar rotular Raul Seixas como “satanista” certamente é o envolvimento do músico com a obra do ocultista inglês Aleister Crowley, que chamava a si mesmo de A Besta 666. A questão é que Crowley não acreditava no Cristianismo nem no Diabo, como atestam seus biógrafos. Logo, não poderia ser satanista. Questão de lógica.

Além disso, é comum encontrar na internet interpretações errôneas e nada confiáveis das músicas de Raulzito. Alguns espalham que Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás, por exemplo, seria uma história vivida pelo Diabo, quando na verdade é apenas uma versão de uma música folclórica norte-americana. Outros veem em Gita uma adoração ao demônio, mas é justamente o contrário, já que a canção foi inspirada no livro sagrado hindu Bhagavad-Gita.

Via de regra, quem defende que Raul Seixas escondia mensagens subliminares em suas músicas, ou que o cantor era “satanista”, não entende nada de Raul Seixas. Por isso, em tempos de fake news, a recomendação é sempre pesquisar, buscar a verdade em fontes seguras. É preciso estar atento a tudo que se lê e vê na internet, pois existe muita gente que distorce os fatos e conta a história conforme lhe convém.